14 de ago. de 2012

O conto do amor imagético

Ela se apaixonou de maneira ingênua, pura e assustadora, mas com o tempo o que era paixão se tornou obsessão e a obsessão deu lugar à uma platonicidade mental criativa sem fim. As declarações de outros homens não a tocavam mais, nem os rápidos e intensos romances, tampouco os e-mails apaixonados de pretendentes devotados. Ela estava cegamente enfeitiçada e mesmo com tanto desdém da parte dele e com tanta confusão de sentimentos dela o amor resistiu calado, até o dia em que ela, corajosamente decidiu matar esse amor pouco a pouco, dia a dia, silenciosamente. Ela nunca havia voltado atrás, muito menos dado uma segunda, terceira ou quarta chance à ninguém, para ele sim, ele ganhou várias oportunidades e jogou todas, friamente no chão. No fundo, nem ela sabia se realmente queria esse amor, talvez o jogo fosse mais excitante do que o placar final e o que ela criou na cabeça fosse maior que a realidade. Ele não a queria e bem provavelmente não a merecia e ela tinha muito medo de se encarar, de enxergar a realidade, mas finalmente sentou-se diante do espelho e receosa se encarou por alguns minutos, sentiu vergonha por ter ficado tanto tempo embriagada num amor sem reciprocidade, aonde tinha doado muito e recebido em troca uma gorjeta bem sem vergonha. Céticos não acreditariam, mas ela subita e magicamente foi tomada por um sentimento de poder, de amor próprio que a fez transformar o amor platônico dela em amizade, mesmo sentindo o coração apertar toda vez que pensava nele. Ela dizia que algumas pessoas por medo de ficarem sozinhas se contentam com moedas, aceitam amores que ficam em cima do muro, que pulam imaturamente de galho em galho e esquecem que a conquista e o romance são, ainda, uma das coisas mais deliciosas desse mundo, mas ela não se contenta, pois sabe seu valor, não aceita migalhas nem mentiras consoladoras, ela juntou todos os pedaços quebrados de seu coração novamente e escreve aos poucos novas e surpreendentes histórias de amor " Fim ♥ Alana Sales

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